
maio 15, 2026
Emagrecimento, Nutrição Clínica, Ozempic e Mounjaro
Introdução
A tirzepatida, comercializada sob os nomes Mounjaro® e Zepbound®, representa um avanço significativo no tratamento do diabetes tipo 2 e na gestão do peso. Este medicamento, um agonista duplo dos receptores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon), atua de diversas formas para melhorar o controle glicêmico e promover a perda ponderal. No entanto, a rápida perda de peso associada ao seu uso tem levantado questões importantes sobre o risco de desenvolvimento de cálculos biliares, uma condição conhecida como colelitíase. Para o nutricionista, compreender essa relação é fundamental para oferecer um suporte nutricional adequado e personalizado aos pacientes.
Mecanismo de Ação da Tirzepatida e o Risco de Cálculos Biliares
A tirzepatida exerce seus efeitos através de um mecanismo duplo que retarda o esvaziamento gástrico, aumenta a secreção de insulina dependente de glicose e suprime a liberação de glucagon. Além disso, atua em vias de regulação central do apetite, resultando em uma redução da ingestão calórica e, consequentemente, em uma perda de peso substancial [1].
Embora a tirzepatida não cause diretamente a formação de cálculos biliares, a perda de peso rápida é um fator de risco bem estabelecido para essa condição. A fisiopatologia envolve principalmente duas alterações: a modificação da composição da bile e a redução da motilidade da vesícula biliar. A perda de peso acelerada pode levar a um aumento na saturação de colesterol na bile e à hipomotilidade da vesícula, resultando em estase biliar e maior propensão à formação de cálculos [2]. Adicionalmente, agonistas de GLP-1 podem inibir a secreção de colecistocinina (CCK), um hormônio crucial para a contração da vesícula biliar, exacerbando a estase [3].
Evidências Clínicas
Estudos clínicos têm demonstrado um aumento na incidência de colelitíase em pacientes tratados com tirzepatida. Por exemplo, em ensaios como o SURMOUNT-1, a incidência de colelitíase foi de aproximadamente 2,5% em pacientes utilizando tirzepatida, em comparação com 1,0% no grupo placebo [1]. Outros estudos, como o SURPASS, também reportaram casos, embora com taxas ligeiramente diferentes [4]. É importante notar que o risco parece estar mais associado à velocidade e magnitude da perda de peso do que à dose específica da tirzepatida [5].
Estratégias Nutricionais e Prevenção: O Papel do Nutricionista
Diante do risco de colelitíase, a intervenção nutricional desempenha um papel crucial na prevenção e manejo. O nutricionista é o profissional capacitado para orientar os pacientes em uso de tirzepatida, minimizando os riscos e promovendo a saúde da vesícula biliar. As principais estratégias incluem:
Conclusão
A tirzepatida é uma ferramenta poderosa no manejo do diabetes e da obesidade, mas seu uso exige atenção à saúde da vesícula biliar. A colaboração entre o paciente, o médico e o nutricionista é indispensável para otimizar os resultados do tratamento, minimizando os riscos associados. Através de uma abordagem nutricional estratégica e um acompanhamento cuidadoso, é possível garantir que os benefícios da tirzepatida sejam alcançados com a máxima segurança e bem-estar para o paciente.
REFERÊNCIAS
[1] Jastreboff AM, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1). N Engl J Med. 2022.
[2] Fella Health. Does Tirzepatide Cause Gallstones? Risks and Prevention Guide.
[3] Seek Peptides. Tirzepatide and gallbladder problems: risks, symptoms, prevention.
[4] Frías JP, et al. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes (SURPASS-2). N Engl J Med. 2021.
[5] Wiley Online Library. Risk of biliary diseases in patients with type 2 diabetes or obesity treated with tirzepatide. 2024.
[6] FDA Prescribing Information (Mounjaro/Zepbound).
[7] Norman Regional. Gallbladder Risks with GLP-1 Medications. 2026.