Nutrição Clínica

EQUILÍBRIO E BEM-ESTAR: O PAPEL DA DIETA DE BAIXA HISTAMINA NA SUA SAÚDE

A alimentação é o pilar fundamental da vitalidade, mas para alguns indivíduos, certos compostos naturais presentes em alimentos saudáveis podem desencadear reações inesperadas. Entre esses compostos, a histamina destaca-se como uma amina biogênica essencial para o sistema imunológico e neurológico, mas que, em excesso, pode sobrecarregar o organismo. Quando o corpo apresenta dificuldade em degradar essa substância — processo realizado principalmente pela enzima Diamina Oxidase (DAO) — surge o quadro conhecido como intolerância à histamina.

 

Acompanhar um plano alimentar estratégico com o suporte de um nutricionista é essencial para identificar se os seus sintomas estão relacionados a esse acúmulo. A abordagem nutricional não visa apenas a restrição, mas a restauração do equilíbrio metabólico e a melhora da qualidade de vida através de escolhas conscientes e personalizadas.

 

Condições e Doenças Associadas ao Protocolo

A dieta de baixa histamina é frequentemente aplicada como uma ferramenta terapêutica em diversas condições clínicas onde a homeostase da histamina está comprometida. Estudos científicos indicam que a deficiência da enzima DAO pode ser primária (genética) ou secundária, causada por danos na mucosa intestinal. As principais condições que se beneficiam deste protocolo incluem:

 

Categoria

Condições Relacionadas

Gastrointestinais

Síndrome do Intestino Irritável (SII), Disbiose Intestinal, Doença Celíaca e Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).

Dermatológicas

Urticária Crônica Espontânea, Dermatite Atópica e episódios frequentes de flushing (vermelhidão facial).

Neurológicas

Enxaquecas crônicas e cefaleias vasculares recorrentes.

Sistêmicas

Síndrome de Ativação Mastocitária (MCAS) e Síndrome da Fadiga Crônica.

 

Sintomas de uma Alimentação Rica em Histamina

Os sintomas da intolerância à histamina são notórios por sua natureza multissistêmica, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico imediato. Quando a ingestão alimentar ultrapassa o limiar de tolerância individual, podem surgir:

 

  • Distúrbios Digestivos: Inchaço abdominal acentuado (meteorismo), dores abdominais, diarreia súbita ou alternância com constipação e náuseas.
  • Reações Cutâneas: Coceira intensa (prurido), aparecimento de manchas vermelhas, urticária e inchaços localizados (edemas).
  • Manifestações Respiratórias: Congestão nasal, coriza, espirros frequentes e, em casos mais sensíveis, dificuldade respiratória leve.
  • Sintomas Neurológicos e Cardiovasculares: Dores de cabeça latejantes, tonturas, palpitações cardíacas e alterações na pressão arterial.

 

O Que Evitar: Alimentos Críticos no Protocolo

O protocolo de baixa histamina envolve a redução temporária de alimentos que possuem altas concentrações da amina ou que estimulam sua liberação endógena. É fundamental destacar que a sensibilidade varia entre os indivíduos, e a orientação de um nutricionista é indispensável para evitar carências nutricionais durante o processo.

 

Grupo Alimentar

Alimentos a Serem Evitados/Reduzidos

Fermentados

Queijos maturados (parmesão, gorgonzola), iogurtes, chucrute, kombucha, kefir e molho de soja.

Bebidas Alcoólicas

Vinho tinto, cerveja e espumantes (devido ao processo de fermentação).

Processados

Carnes curadas como salame, presunto, salsichas e conservas em geral.

Vegetais e Frutas

Tomate, espinafre, berinjela, abacate, frutas cítricas, banana e morango.

Frutos do Mar

Peixes não frescos, crustáceos e frutos do mar enlatados.

 

REFERÊNCIAS

  • JOCHUM, C. Histamine Intolerance: Symptoms, Diagnosis, and Beyond. Nutrients, v. 16, n. 8, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11054089/.
  • COMAS-BASTÉ, O. et al. Histamine Intolerance: The Current State of the Art. Biomolecules, v. 10, n. 8, 2020.
  • SÁNCHEZ-PÉREZ, S. et al. Intestinal Dysbiosis in Patients with Histamine Intolerance. Nutrients, v. 14, n. 9, 2022.
  • SCHINK, M. et al. Microbial patterns in patients with histamine intolerance. Journal of Physiology and Pharmacology, v. 69, n. 4, 2018.