Emagrecimento, Nutrição Clínica, Ozempic e Mounjaro

WHEY PROTEIN COM MOUNJARO OU OZEMPIC: É REALMENTE NECESSÁRIO?

Não. Quem usa Mounjaro (tirzepatida) ou Ozempic (semaglutida) não precisa obrigatoriamente tomar whey protein. O que merece atenção é atingir uma ingestão adequada de proteína e preservar a massa muscular durante o emagrecimento. O whey pode ajudar quando o apetite diminui, mas é um suplemento de conveniência — não um tratamento obrigatório nem um “antídoto” contra a perda de músculo.

 

1.Por que esse cuidado importa?

Semaglutida e tirzepatida reduzem o apetite e a ingestão de energia. Nos estudos clínicos, a maior parte do peso perdido foi composta por gordura, mas também houve redução de massa magra. No STEP 1, a semaglutida produziu perda de gordura maior que a de massa magra, embora a massa magra tenha diminuído em termos absolutos.1 No SURMOUNT-1, com tirzepatida, a redução da massa gorda foi aproximadamente três vezes maior que a redução da massa magra.2

 

Isso não significa que os medicamentos “causem perda exclusiva de músculo” ou que devam ser evitados. Uma revisão sistemática de ensaios com semaglutida encontrou resultados variados: a massa magra representou de quase 0% a 40% do peso perdido entre os estudos.3 Uma meta-análise mais recente, com 20 ensaios randomizados e 15.782 participantes, estimou que a massa magra correspondeu a 35,2% do peso perdido com semaglutida e a 25,4% com tirzepatida. A proporção foi semelhante à observada em intervenções de estilo de vida; a combinação com treinamento de força apresentou o perfil mais favorável.4

 

Onde entra o whey?

A prioridade é a proteína total do dia, que pode vir de alimentos como ovos, leite e iogurte, peixes, frango, carnes magras, feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu. Uma revisão sobre nutrição durante o uso de agonistas de GLP-1 cita a recomendação geral de 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia e faixas maiores, como 1,2–1,6 g/kg/dia, que podem ser consideradas durante uma fase ativa de emagrecimento. Entretanto, ainda não existe consenso sobre a melhor forma de calcular essa meta em pessoas com obesidade; o peso atual pode superestimar a necessidade.5

 

O whey pode ser útil quando náuseas, saciedade precoce ou redução do apetite dificultam comer proteína suficiente. Ele também é uma alternativa rápida para complementar uma refeição, desde que seja bem tolerado e caiba no plano alimentar. Um pequeno ensaio randomizado observou que uma bebida com whey aumentou a saciedade e estimulou GLP-1 e PYY mais do que maltodextrina; porém, participaram apenas oito mulheres e o estudo avaliou efeitos agudos. Portanto, esse resultado não prova que whey potencialize o efeito do Ozempic ou do Mounjaro, nem que promova maior emagrecimento a longo prazo.6

 

Na prática, o mais importante costuma ser combinar alimentação adequada com treinamento de resistência, pois proteína isoladamente provavelmente não preserva toda a massa muscular sem estímulo de força.5 A dose, o tipo de whey e a necessidade de suplementação devem ser individualizados, especialmente em pessoas com doença renal, sintomas gastrointestinais importantes, diabetes ou outras condições clínicas. Um nutricionista pode avaliar a ingestão real, escolher fontes alimentares ou suplemento quando necessário e ajustar a estratégia junto à equipe médica.

 

Assim, a resposta curta é: whey não é obrigatório; proteína adequada e exercício de força são prioridades. Para algumas pessoas em uso de semaglutida ou tirzepatida, o whey facilita alcançar essas prioridades. Para outras, uma alimentação comum já é suficiente.

 

REFERÊNCIAS

[1] Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine. 2021;384(11):989–1002. doi: 10.1056/NEJMoa2032183. Texto completo.

[2] Jastreboff AM, Aronian WS, Ahmad NN, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine. 2022;387(3):205–216. doi: 10.1056/NEJMoa2206038. Texto completo.

[3] Bikou A, Dermiki-Gkana F, Penteris M, et al. A systematic review of the effect of semaglutide on lean mass: insights from clinical trials. Expert Opinion on Pharmacotherapy. 2024;25(5):611–619. doi: 10.1080/14656566.2024.2343092. PubMed.

[4] Eisa N, Barood O. Lean Mass Changes With Incretin Therapy Versus Lifestyle Intervention: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomised Controlled Trials. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2026;28(6):4818–4827. doi: 10.1111/dom.70666. PubMed.

[5] Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: A joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. Obesity (Silver Spring). 2025;33(8):1475–1503. doi: 10.1002/oby.24336. Texto completo.

[6] Rigamonti AE, Leoncini R, De Col A, et al. The Appetite-Suppressant and GLP-1-Stimulating Effects of Whey Proteins in Obese Subjects are Associated with Increased Circulating Levels of Specific Amino Acids. Nutrients. 2020;12(3):775. doi: 10.3390/nu12030775. PubMed.

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *